domingo, 26 de abril de 2020

Aprendo um novo idioma

Escrevo sobre a liberdade.
A liberdade de ser o que sou, enquanto só eu me vejo.
Ver-me enquanto sou o que sou, enquanto ninguém me escuta ou sente.
Só assim me vejo, parece-me...
Quando posso me sentir liberto de todos os olhos alheios,
alheios de mim.
Liberdade de ser, nesse momento, é liberdade de viver o que tenho dentro.
Olhar para dentro e viver a mim mesmo.

Vivo a liberdade dentro de mim, no silêncio.
No fundo de minh'alma eis que me encontro e só.
Sons e cheiros, saudades, encontros... e só.
Solidão seria entrar no silêncio de si e não encontrar nada.

Vivo feliz quando me encontro e vivo feliz quando me entendo.
Para me entender, tenho que driblar os olhos alheios.
Olhos alheios que ainda me ativam e também cancelam, sem que eu perceba nem atine.
E é isso o que significa acreditar que o esperado de mim é maior ou menor do que o que já está escrito desde o princípio.

Este livro já escrito vem se revelando aos poucos, a cada lampejo.
No silêncio é que abro os olhos para mim mesmo
e me vejo.
Sem rodeios,
me vejo.
São lampejos, faíscas, encontros,
ensejos...

Um idioma novo nasce no encontro com minh'alma.
Língua falada e língua sentida.
Língua vivida.
Idioma pulsante do coração, que fala e pulsa, e fala e mostra,
o caminho que vai de mim para mim mesmo.

Caminho certo, caminho torto, caminho aberto.
Caminho envolto de mistério e revelação.
Sentimentos que são ora verdade, ora ilusão.
Ora certeza e exatidão.
E a esperança insistente, sempre presente, de crescer e crescer,
de dominar esse idioma tão rico e poderoso - alfabeto do coração.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A idade do ego

A idade adulta de certa forma tolhe a liberdade de quem se descuida. A necessidade de ser aceito toma uma proporção diferente, pois está diretamente atrelada ao ganha pão. Ser o ideal para receber o necessário. Experimentar sair da regra é sair de cena, é sair da mídia ou entrar nela como uma figura caricaturizada do diferente, do não-aceito.

Somos reféns do nosso medo de sermos nós mesmos? Quando teremos coragem de rompermos nossos próprios preconceitos? Quando teremos coragem de enfrentar o inimigo do espontâneo? Quem penso que sou? Quem pensam que sou? Quem sou? Não importa o que penso ou o que pensam. Em algum lugar aqui dentro, estou sendo plenamente o que devo ser e manifesto isso em proporção à minha capacidade de me entregar à minha natural natureza. A beleza de ser quem se é, é a natureza do viver pra si e inspirar a todos.
 
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